quinta-feira, 26 de junho de 2014

Texto: "O modelo dos modelos" (Italo Calvino)


Em uma época da vida do Senhor Palomar, tinha como regra construir um modelo na mente perfeito, que adaptasse aos casos práticos e a realidade. Com este propósito, a educação especial, por muito tempo, perdurou o entendimento de que deveria ser organizada de forma paralela à educação comum, pois seria mais apropriada para a aprendizagem dos alunos que apresentavam deficiência, problemas de saúde, ou qualquer inadequação com relação à estrutura organizada pelos sistemas de ensino.

Com o processo de democratização da educação, assim como as regras do senhor Palomar, foram e vêm modificando os conceitos; no caso da educação inclusiva, as legislações e as práticas pedagógicas e de gestão, promovendo a reestruturação do ensino regular e especial. Por conseguinte, tanto a regra do senhor Palomar, como o processo de educação inclusiva, precisaram identificar os mecanismos e processos de hierarquização que operavam na regulação e produção das desigualdades e estabelecer, reformular, reconhecer, valorizar e formar continuamente, considerando as singularidades no espaço e tempo, a serem construídos, por TODOS que fazem parte do processo.

Analisando o modelo dos modelos almejado por Palomar, assim como a inclusão, na perspectiva da educação inclusiva, aponta para a necessidade de se subverter a hegemonia de uma cultura segregadora e reinventar princípios e práticas, ressignificando o paradigma.

Para a inclusão a mudança de paradigma educacional, gera uma reorganização das práticas escolares: planejamentos, formação de turmas, currículo, avaliação, gestão do processo educativo.

Para o senhor Palomar, construir a realidade sem padrões, promovendo experiências práticas compatíveis, sem privilegiar, mas com articulação e dinamismo de ações transformadas à adaptação da realidade vivida.

Na Perspectiva da Educação Inclusiva, a Política Nacional institui o Atendimento Educacional Especializado - AEE, um serviço da educação especial que identifica, elabora e organiza recursos pedagógicos e de acessibilidade, que eliminem as barreiras para a plena participação dos alunos, considerando suas necessidades específicas.

Esse atendimento não é facilitado, mas facilitador, não é adaptado, mas permite ao aluno adaptar-se às exigências do ensino comum, não é substitutivo, mas complementar ao ensino regular.

Na articulação da regra do senhor Palomar e do professor e demais profissionais envolvidos, na educação inclusiva, devem aprofundar o caráter interativo, com propósitos fundidos, na operacionalização do processo, conhecendo a diversidade para definir, reformular e estabelecer estratégias e recursos, em busca de melhor qualidade de vida. 

Imagem do Livro: “O Catador de Pensamentos” foi escolhida para ilustrar as ideias do texto, apresentando a Diversidade através das flores e suas combinações de cores e formas.








terça-feira, 3 de junho de 2014

RECURSOS E ESTRATÉGIAS EM BAIXA TECNOLOGIA PARA ALUNO COM TGD EM SEU DESENVOLVIMENTO



1.   Título da atividade: Prancha Temática

2. Público a que se destina: Aluno com Autismo, frequentando o Ensino Fundamental I (1º ano e 2º Ano – 6 e 7 anos)

3.   Local de utilização: Sala de Aula


4.   Representação visual do recurso utilizado:


5. Descrição da atividade:

Prancha Temática: Animais em ordem alfabética

         6.Desenvolvimento da atividade:

1º Passo: O professor irá apresentar figuras ilustrativas, associadas aos animais em miniaturas, dando sempre de duas ou três opções com a letra inicial, apoiada na sequencia Alfabética. O aluno fará a escolha do animal que representará, ou seja, estará associada a cada letra do alfabeto.

 Intervenções: A cada letra do alfabeto, o professor e alguns alunos poderão acompanhar a proposta, podendo motivar as escolhas, com os recursos visuais disponibilizados e sons respectivos e ainda algumas características dos animais. 


2º Passo o aluno com a ajuda da professora fará a organização do recurso, localizando na Prancha de A-Z, a letra correspondente, fazendo a sobreposição de letra e figura, fixadas por meio do uso do velcro, para que possa alterar de acordo com as propostas, ou suas preferências e interesses.

Intervenções: Com a atenção monitorada, incentivada com a participação em grupo, o aluno poderá apoiar-se nas indicativas (podem ser referente as características: voa, rasteja, nada, tem penas, tem patas, tem pelo, entre outras) e estímulos dos colegas referente a localização na prancha.


3º Passo o aluno estará familiarizando com o material, através de estratégias cognitivas, organizadas e apoiadas nas intervenções da professora.

Intervenções: Como um jogo de Bingo, a professora poderá solicitar a verificação e uso prático da prancha, como um ditado, e quando localizado o animal indicado, o aluno poderá relacionar com os animais em miniaturas ou até desafiar a associar com os nomes escritos dos animais em cartões.


4º Passo: Organização de um Álbum de figurinhas de Animais, proposto para a classe, contando com ações colaborativas, no sentido de atribuir o fazer aos alunos, em revezamento, com as tarefas comuns de encontrar os animais no álbum, recortar e colar a figurinha, escrever o nome, marcar a numeração da figurinha no quadro numérico e outras como organizar o álbum com a classificação dos animais.
                                  
Observação: O Aluno realizará as propostas com o auxílio de um colega de classe, ou apoiada nas intervenções da professora, podendo introduzir ideias/informações matemáticas conceituais (entre, menor que, maior que, abaixo, acima, e outros).


domingo, 20 de abril de 2014

SURDOCEGUEIRA E DEFICIÊNCIA MÚLTIPLA

A surdocegueira é uma deficiência única em que o indivíduo apresenta ao mesmo tempo perda da visão e da audição. É considerado surdocego a pessoa que apresenta estas duas limitações, independente do grau das perdas auditiva e visual. A surdocegueira pode ser congênita ou adquirida e não é deficiência múltipla". Podemos dizer que as pessoas surdocegas estão divididas em quatro categorias: pessoas que eram cegas e se tornaram surdas; que eram surdos e se tornaram cegos; pessoas que se tornaram surdocegos; pessoas que nasceram surdocegos, ou se tornaram surdocegos antes de terem aprendido alguma linguagem.
 Deficiência múltipla é quando uma pessoa apresenta mais de uma deficiência, é uma condição heterogênea que identifica diferentes grupos de pessoas, revelando associações diversas que afetam, mais ou menos intensamente, o funcionamento individual, o relacionamento social, o nível de desenvolvimento, as possibilidades funcionais, de comunicação, interação social e de aprendizagem que determinam as necessidades educacionais dessas pessoas. (MEC – 2006). As pessoas com deficiência múltipla apresentam características específicas, individuais, singulares e não apresentam necessariamente os mesmos tipos de deficiência, podem apresentar cegueira e deficiência mental; deficiência auditiva e deficiência mental; deficiência auditiva e autismo e outros.”
Pode-se dizer então que, a pessoa que nasce com surdocegueira ou que fica surdocega não recebe as informações sobre o que está sua volta de maneira fidedigna, ela precisa da mediação de comunicação para poder receber, interpretar e conhecer o que lhe cerca. Ou seja, seu conhecimento do mundo se faz pelo uso dos canais sensoriais proximais como: tato, olfato, paladar, cinestésico, proprioceptivo e vestibular.
Na deficiência múltipla não garantimos que todas as informações muitas vezes chegam para a pessoa de forma fidedigna, mas ela sempre terá o apoio de um dos canais distantes (visão e audição) como ponto de referência, esses dois canais são responsáveis pela maioria do conhecimento que vamos adquirindo ao longo da vida. Quase sempre, os canais de visão e audição não são os únicos afetados, mas também outros sistemas, como os sistemas tátil (toque), vestibular (equilíbrio), proprioceptivo (posição corporal), olfativo (aromas e odores) ou gustativo (sabor). Limitações em uma dessas áreas podem ter um efeito singular no funcionamento, aprendizagem e desenvolvimento da criança (Perreault, 2002).
NECESSIDADES DA PESSOA COM MÚLTIPLA DEFICIÊNCIA
 De acordo com Nunes (2002), podem ser agrupadas em três blocos:
Necessidades físicas e médicas, como por exemplo:
·         A mais freqüente causa da deficiência múltipla é a Paralisia Cerebral, que compromete a postura e a mobilidade. Os movimentos voluntários são limitados em termos qualitativos e quantitativos.
·         Limitações sensoriais (visual e auditiva)
·         Convulsões
·         Controle respiratório e pulmonar
·         Problemas com deglutição e mastigação
·         Saúde mais frágil com pouca resistência física
Necessidades emocionais de:                              
·         Afeto
·         Atenção
·         Oportunidades de interagir com o meio e com o outro
·         Desenvolver relações sociais e afetivas
·         Estabelecer uma relação de confiança
 Necessidades educativas devido a:
·         Limitações no acesso ao ambiente
·         Dificuldades em dirigir atenção para estímulos relevantes
·         Dificuldades na interpretação da informação
·         Dificuldades na generalização.
NECESSIDADES DA PESSOA COM SURDOCEGUEIRA (Fascículo v. 5. - Coleção A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar)
·         Estratégias de intervenção para o estabelecimento da comunicação com a criança com surdocegueira (Técnica “mão-sobre-mão”);
·         Incentivar e ensinar a pessoa com surdocegueira a usar a visão e audição residuais, provendo-a de informações sensoriais, que suscitem a sua curiosidade;
·         Ambiente planejado e organizado para inserção da pessoa com surdocegueira, favorecendo a interação com pessoas e objetos, auxiliando e realizando antecipações, obtendo pistas para escolhas e processamento e elaboração das informações recolhidas do seu entorno;
·         Disponibilização de recursos para favorecer a aquisição da linguagem estruturada no registro simbólico, tanto verbal, quanto em outros registros, como o gestual;
·         Disponibilização de recursos para adequações visuais, auditivas, táteis, aprendizagem e tecnologia assistiva;
·         Estabelecer e estimular a interação das informações sensoriais e a organização do esquema corporal;
·         Organização espacial e estrutural da escola e dos ambientes vividos, favorecendo a mobilização da pessoa com surdocegueira; entre outras.
Pesquisas sobre Surdocegueira e Deficiências Sensoriais Múltiplas, partem de alguns pressupostos referentes às características específicas e necessidades básicas das pessoas com essas deficiências, expõem quadros sobre causas e tipos de Surdocegueira e de Deficiências Sensoriais Múltiplas, e, em uníssono, enfatizam a comunicação como a dificuldade primeira para qualquer proposta de estudo, ou atendimento a essas pessoas. 
Na Pesquisa de CORMEDI, M.A. (2005) - Referências de currículo na elaboração de programas educacionais individualizados para surdocegos congênitos e múltiplos deficientes. Professores de surdocegos e de múltiplos deficientes, têm, na elaboração de Modelos curriculares e programas educacionais, um dos seus maiores desafios, quer sob o aspecto do desenvolvimento de linguagem e comunicação, quer sobre a definição do conteúdo programático a ser ensinado. A presente pesquisa fundamentou - se na caracterização da surdocegueira e da múltipla deficiência, segundo a concepção sócia - interacionista de desenvolvimento da linguagem e no Modelo de currículo funcional ou ecológico. A análise dos dados revelou que os professores têm buscado referências e fundamentos teóricos sobre comunicação, modelo funcional, competências e múltiplas inteligências para a elaboração do currículo e do programa individual. A análise também mostrou que o conhecimento sobre o processo de desenvolvimento de linguagem e comunicação dos surdocegos e múltiplos deficientes é condição para que os professores possam ensinar a esses alunos.
Na Pesquisa de ARÁOZ, S.M.M. (1999) Experiências de pais de múltiplos deficientes sensoriais - surdocegos: do diagnóstico à educação especial. O estudo tem por objetivo descrever as experiências de pais de múltiplos deficientes sensoriais - surdocegos, por ocasião do diagnóstico e da procura de atendimento especializado. Os relatos declaram as angustias enfrentada pelos pais nos diagnósticos e na procura de educação especial, que foram muito demorados e difíceis de localizar, a impotência por não saberem como auxiliar seus filhos com dificuldades de visão e audição, e as conquistas provindas destas experiências. Concluindo levanta temas de pesquisa e atuação profissional na divulgação das múltiplas deficiências, atuação interdisciplinar incluindo os pais, aprofundamento dos estudos das relações pais-filhos e profissionais clientes, implantação de redes de apoio integrais com pais experientes e profissionais, no diagnóstico e noutras crises, assim como a promoção de relações inter- institucionais das áreas de saúde e educação.
 “Nós não devemos deixar que as incapacidades das pessoas nos impossibilitem de reconhecer as suas habilidades”

                                            ( Hallahan e Kauffman, 1994).        

domingo, 9 de março de 2014

EDUCAÇÃO ESCOLAR DE PESSOAS COM SURDEZ

1-    Introdução
                    
1.2 -Educação Escolar de Pessoas com Surdez


A educação escolar das pessoas com surdez, no seu percurso histórico, foi marcada por um embate político epistemológico entre os gestualistas e oralistas.
As concepções desenvolvidas sobre a educação de pessoas com surdez se fundamentaram em três abordagens diferentes: a oralista, a comunicação total e a abordagem por meio do bilinguismo. Estas tendências centram-se em propostas pedagógicas, ora na inserção desses alunos na classe comum, ora na classe especial ou na escola especial.
Mediante aos equívocos existentes, resultados insatisfatórios e debates sobre a comunidade surda, sua cultura e sua identidade, levaram a interpretações conceituais provocando divergências relacionadas ao movimento político cultural e educacional.
A Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (2008) vem ao encontro do propósito de mudanças no ambiente escolar e nas práticas sociais e institucionais.
Contudo, as políticas públicas, princípios decorrentes de novos paradigmas e ações culturais e educacionais, numa perspectiva inclusiva devem consolidar um processo dialógico, de superação da imanência e da busca de mudanças sociais, culturais e filosóficas.


2-    Desenvolvimento

2.1- Atendimento Educacional Especializado para Pessoas com Surdez.


O AEE para alunos com surdez, na perspectiva inclusiva, estabelece como ponto de partida a compreensão e o reconhecimento do potencial e das capacidades dessas pessoas, vislumbrando o seu pleno desenvolvimento e aprendizagem.
O AEE promove o acesso dos alunos com surdez ao conhecimento escolar em duas línguas: em Libras e em Língua Portuguesa, a participação ativa nas aulas e o desenvolvimento do seu potencial cognitivo, afetivo, social e linguístico com os demais alunos da escola comum.
O atendimento as necessidades educacionais específicas desses alunos é reconhecido e assegurado por dispositivos legais, que determinam o direito a uma educação bilíngue, em todo processo educativo.

O AEE envolve três momentos didáticos- pedagógicos: o AEE em Libras, o AEE de Libras e o AEE de Língua Portuguesa; visando oferecer aos alunos com surdez a oportunidades de beneficiar de ambientes inclusivos de aprendizagem (Damázio, 2007).[1]


3-    Conclusão


Continuar no embate epistemológico entre gestualistas e oralistas é manter na exclusão escolar as pessoas com surdez.
É de extrema urgência deflagrar iniciativas que desconstruam modelos conservadores da escola comum, focando o trabalho na transformação das práticas pedagógicas, na perspectiva da educação escolar inclusiva.
O AEE deve ser visto como uma construção e reconstrução de experiências e vivências conceituais, oferecendo aos alunos a oportunidade de assegurar a sua aprendizagem.


[1] A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar: abordagem bilíngue na escolarização de pessoas com surdez; v.4.p.10-21;
O atendimento educacional especializado para os alunos com surdez: uma proposta inclusiva;Capítulo III; p. 25-38.

Referência Bibliográfica

Alvez, Carla Barbosa. A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar: abordagem bilíngue na escolarização de pessoas com surdez / Carla Barbosa Alvez, Josimário de Paula Ferreira, Mirlene Macedo Damázio. - Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Especial ;[Fortaleza] : Universidade Federal do Ceará, 2010. V. 4. (Coleção A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar).

Bibliografia Consultada

DAMÁZIO, M. F. M.; ALVES, C. B. Atendimento Educacional Especializado do aluno com surdez. Capítulo III - SEESP / SEED / MEC - Brasília/DF – 2007.